O dia nostálgico do mês chegou, foi nessa semana mesmo.
Engraçado como esses dias aparecem depois de uma faxina no armário, revirando
as coisas que guardamos com tanto carinho, e sempre estão acompanhados de fotos
vistas e até de feridas que insistem em doer. Desta vez, a saudade é de algo
recente, coisa de três anos, no máximo, muita coisa mudou nesse tempo. Decido, ligo
para meus amigos que faziam parte do meu dia-a-dia, e que a última vez que os
vi foi ano passado. Como você está? Como está a faculdade? Trabalhando? Ah, e
as feridas antigas? Não, me conte só alegrias! Deixa tudo que já passamos pra
trás, é daqui pra frente, não vamos lembrar as brigas. Posso te ver esses dias?
Essa semana? Esse mês? Tenho saudades! Volto a sentir aquele espaço preenchido
depois de uma conversa com uma voz antiga, conhecida, e importante, pode ser
uma conversa rápida, mas ela registra o passado se marcando no presente. Aquele
quentinho de um domingo à tarde no sofá de casa, aquele gostinho de que a vida
não tá passando, que o tempo tá parado. Sinto falta de tudo que tínhamos, do
mundo que tínhamos, os amigos que se viam todo dia, a ausência da responsabilidade
que bate todo dia através do despertador. A vida vai moldando nossa rotina
conforme nossas decisões, coisas pequenas tem impacto gigante, e só percebemos
isso quando o tempo passou e estamos em casa, sentados no chão do quarto, de
frente ao espelho, olhando fotos, relembrando momentos, chorando por
felicidades passadas, rindo das inúmeras situações constrangedoras, analisando
todas as feridas antigas... Não dá pra voltar ao que tínhamos, a vida mudou
para todo mundo.
O sentimento, agora de conformidade, tomou conta dos meus
pensamentos, não consegui pensar em algo que pudesse finalizar o dia e o texto
bem. Li outro dia uma frase, e vou copia-la, pois se encaixa perfeitamente no
momento. “Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro. Parece que foi
ontem que tínhamos 16... Então, amanhã teremos 30?! Assim tão rápido?!”
