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terça-feira, 10 de abril de 2012

Aos meus amigos: Muito obrigada.


É sorte. Felizmente sempre tive muitos amigos homens que sempre me ensinaram tudo de errado que os homens fazem e qual a maneira que eles, cada um com sua particularidade, têm de disfarçar o feito. É sorte.
Felizmente escolhi estudar num colégio abarrotado de garotas falsas e fúteis, que piram ao ouvir uma bandinha da moda, que surtam ao ver um garoto mais bonitinho, que estavam no seu vigésimo oitavo relacionamento sério, com direito a “namorando” no perfil da rede social que mais bomba na época, e aliança de prata na mão direita, garotas que no auge dos quinze anos estavam fofocando no banheiro como é perder a virgindade com o seu vigésimo nono namorado, garotas cuja maior preocupação era não deixar as unhas, insuportavelmente gigantes, quebrarem antes da maravilhosa party, que aconteceria no sábado na casa da garota que namora com o ex boyfriend daquela garota da outra sala, mas que jura, para todas suas amigas que vivem no mesmo mundo, que ela é sua bff, que ela não tem a mínima raiva dela, que ela não quer fazer invejinha nela, nem bater a cara dela num pilar do colégio... Felizmente eu escolhi estudar nesse colégio, com todas essas garotinhas desprovidas de inteligência e providas de um corpo não compatível com a idade, mas que, pelo fato de serem desprovidas de inteligência, não faziam parte da minha sala. Felizmente escolhi o colegial técnico em informática, enquanto as garotas mais populares e fúteis faziam marketing.
Felizmente eu estava numa sala cuja minha maior preocupação de estética era pentear o cabelo antes de sair de casa. Minha sala era o núcleo masculino, cinco garotos por metro quadrado. Quando faziam a seleção física das salas, a minha era sempre ao lado do banheiro masculino, afinal, de cinquenta alunos, quarenta e seis eram homens, ou projetos de homens.
Felizmente nunca tive a preocupação de parecer mais bonita ou mais inteligente durante uma aula para impressionar o garoto mais bonito do colégio. Meus amores, os garotos da minha sala eram lindos e eram meus, mas nenhum era digno de tamanha bobeira, a beleza deles estava em solucionar um problema do programa que eu tinha acabado de fazer no VB, que iria fazer a analise do banco de sangue do hospital. Ah como eram lindos. Sabe a sensação de ver o homem mais lindo e gostoso do mundo tirar a camisa, devagar, na sua frente, te olhar de um jeito provocante, e entrar na piscina? Então, me sentia assim quando um dos meus amigos resolvia um desses intermináveis problemas no meu programa, que sempre eram ocasionados pela mesma coisa idiota: aspas simples no lugar de aspas duplas.
Por muito tempo fui um projeto de machismo em forma de mulher. Há quem diga que, até hoje, sou machista. Por muito tempo meus relacionamentos eram contrários, eu era o homem da relação, que enjoava, que não ligava no dia seguinte, que mentia, que só queria uma diversão, que não me importava com os possíveis sentimentos – sim, homens tem sentimentos.
Apesar de estar sempre cercada pelo universo masculino, nunca os consegui entender completamente. Nenhum deles sonhavam com a garota mais linda e popular do Marketing, que tinha unhas gigantes, que ia sempre de micro shorts, que falava fofinho, que já tinha namorado muito mais do que eu já havia feito em linhas de códigos do VB e do C++ juntos, que estaria, com toda a certeza do mundo, na festa da menina da outra sala, não, nenhum deles a queria... Até queriam, mas só para ver se eram de verdade os peitos dela e não só mais uma garota com bojo que anda torta (parecendo um S). Na verdade eles queriam alguém que pudesse discutir sobre o jogo super irado que tinha saído pra PC, alguém que não falasse “sabe, tipo assim” no meio de cada mascada no chiclete, alguém que entenda o quão importante é ficar sete horas seguidas na frente do computador entendendo a linguagem de programação do seu colega para dar continuidade no projeto, alguém que entenda que sair todo final de semana é inviável, alguém que não tenha problema em aceitar uma pancinha de coca-cola flácida, pois o exercício mais elaborado que faz é carregar o notebook da sala para o quarto.
Homens são estranhos, digo isso com propriedade. Enquanto você passa três horas por dia na academia, come apenas o que a dieta da revista cuja capa é uma mulher trabalhada no Photoshop determina, enquanto você tenta parecer linda para eles, eles vão procurar aquelas meninas que não estão maquiadas, que não estão na academia, que não sabem qual é a ultima moda em Paris, que não sabe quem tá namorando com quem que é ex de quem e que foi um choque para quem. Eles vão procurar aquelas garotinhas quietinhas, que estão concentradas em seus computadores, tentando entender porque a porra do programa não funciona só porque eu coloquei uma aspas duplas ali?

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