Sempre fui uma pessoa controlada, não sofria muito, não
sorria muito, não ficava nervosa além do necessário, não pulava muito, sempre
vivi equilibrando tudo. Um dos homens mais importantes da minha vida me disse
que viver nos extremos é fácil, difícil é equilibrar, viver no meio da corda.
Concordo com ele, é difícil, mas sempre fui assim. Se ia a um show, não era a que
mais pulava ou a que sempre ficava parada, me divertia da minha maneira
particular. Se tinha uma prova agendada, não era a que mais estudada nem a que
não abria os livros, tenho minha maneira de adquirir conhecimento.
Sempre fui discreta, não gosto das pessoas comentando da
minha vida, apesar de muitas vezes contar detalhes, sei o limite. Não suporto
pseudo amigo querendo saber detalhes da minha vida enquanto a recíproca não é
verdadeira. Admito que gosto de contar meus casos e acasos para amigos, sempre esperando opinião, mas sei reconhecer um amigo.
Sempre fui feliz, pequenas coisas sempre me agradaram. É fácil,
me dê um café, uma cadeira e a vista para o por do sol, ficarei feliz e em paz
durante a semana. Se uma criança sorri para mim, não importa se eu conheço ou
não, o sorriso de uma criança é o mais sincero do mundo, não há sinceridade maior, não há felicidade maior.
Hoje a vida parece mais complexa. Perdi o controle do
nervosismo, a gastrite que o controla agora, fica difícil não sofrer quando a
ansiedade, ou o medo, ou qualquer outra coisa aumenta os batimentos, não é um
sofrimento besta, é dor. Perdi a alegria simples, não quero dizer que não vejo
mais felicidade num por do sol, ainda vejo e hoje dando maior valor, mas não
tenho com frequência essa dose de felicidade, é algo raro. A felicidade parece
passageira, sendo necessário primeiro merecer.
Quero a paz de apenas sentar na varanda e admirar o por do
sol, sem pressa, sem problemas, sem alguém me esperando, sem soluções me
esperando, sem trabalho para depois, sem estudo para depois. Quero a paz de ser
eu contemplando o mundo.
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