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sábado, 28 de abril de 2012

Um dia sozinha


Todos já tiveram um dia em que acordaram irritados com a vida. O meu foi hoje, dia vinte e oito de abril, levantei onze da manhã, irritada comigo. A primeira irritação é consigo próprio, acreditando ser inútil, não conseguindo fazer metade das coisas que estavam em planejamento e extremamente importantes. Acordei pensando nos trabalhos que preciso entregar na faculdade, acordei pensando na entrevista que fui sexta e quando eles retornarão com a resposta, acordei pensando na festa que não posso faltar hoje à noite, acordei pensando que tinha que me arrumar logo, acordei com dor de cabeça. Sou uma e tenho atividades para dez.
A segunda irritação é com a primeira pessoa que aparece na frente. Por azar, foi minha irmã. Ela veio carinhosamente me chamar para comer, e eu logo a expulsei da minha visão, fui grossa. Ela não tem culpa das mil coisas que eu tenho pra fazer em um final de semana. Ela não tem culpa, eu que não estou dormindo direito a duas semanas e estou cansada. Ela não tem culpa.
A terceira irritação é com a primeira pessoa que não entende tamanho cansaço. Essa foi minha mãe. Antes do “bom dia”, já avisei: estou de mal humor, estou cansada, estou com dor de cabeça e com sono. Naquele momento ficou claro, eu estava chata e insuportável. Com dezoito anos, aprendi a principal lição da vida, não importa o quão irritada você está, sempre dá pra ficar mais. Foi aí que testei o limite da minha paciência. Minha mãe questionou meu cansaço e minha irritação, com o argumento que eu sou muito jovem para estar assim, deveria ter disposição, e tudo que eu fiz e tenho para fazer não é nada. Tá, tudo bem. Respira. Conta até mil. Quando temos um problema, não importa se ele é simples ou complexo, é nosso, e sempre vai ser mais complicado do que alguém possa entender. Não adianta falarem “é besteira isso” ou “esse é seu probleminha? Simples!” nada irrita mais que isso. Pois bem, é minha mãe, e ela própria me ensinou a respeita-la. Não falarei nada... Mas ela insiste, continua cutucando. Ok, mãe, você pediu. Desabafo, brigando, tudo que a vida tem me pressionado neste ultimo mês, colocando a principal parcela de culpa nela. Falei incansavelmente durante trinta minutos, com raiva, chateada e a ponto de explodir. Ela só ouviu. Quando me calei, começou a vez dela. Não parou de falar por uma hora. Argumentos que eu não concordo, mas estava cansada para puxar mais duas horas de conversa.
Me retiro, cansei, não quero mais. Voltarei para minha cama e começarei meu dia novamente. Não é possível, levantei com o pé esquerdo.
Quando acho que não dá para me irritar mais, o celular toca. Mais uma decepção, mais um compromisso furado em cima da hora. Tá, faz parte. Sou compreensiva. Entendo o que você está passando. Tá. Entendo que hoje não será possível para você, mas logo lhe aviso, estou de mal humor e amanhã não será possível para mim. Vou descansar o dia inteiro. Não quero ser incomoda. Não quero te ver amanhã. Não, não estou brava. Não, não estou chateada. Pelo menos não com você. Não, não estou brava com minha mãe. Entenda, eu to cansada e brava COMIGO! Quero ficar sozinha, quero ficar comigo, só. Quero realinhar todo meu planejamento. Quero repensar em tudo que eu fiz e quero fazer. Quero voltar a ser minha amiga. Apenas quero um dia sozinha.
Acho que todo mundo entendeu, preciso de um tempo sem ninguém. 

Um comentário:

  1. Acho seu blog tão lindo, seus textos tão lindos. Mas, ainda acho que os nossos blogs tem algo em comum, sla

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